Grazina Bacewicz

Escrito por Eliana Monteiro da Silva - novembro/2018

Grazina Bacewicz (1909-1969)

Biografia

        Grazina Bacewicz nasceu em Łódź, Polônia, em 17 de janeiro de 1909. Filha de mãe polonesa e pai lituano, escolheu a nacionalidade da mãe a despeito do retorno do pai a seu país natal, levando seu irmão. Na infância, porém foi o pai quem lhe deu as primeiras lições de violino, piano e teoria musical, quando a menina tinha 5 anos de idade. No ano seguinte deu seu primeiro recital ao lado dos irmãos. Aos treze anos compôs suas primeiras peças para piano, um ciclo de Prelúdios para o instrumento.

        Grazina frequentou o Conservatório de Varsóvia, diplomando-se em violino e composição em 1932. Teve como professores Kazimierz Sikorski (composição), Józej Jarzebski (violino) e Józef Turczy’nski (piano).

        Frequentou também a Universidade de Varsóvia, onde estudou Filosofia por um ano e meio. Recomendada por seu professor Karol Szymanowski foi para a França estudar com a compositora Nadia Boulanger e com o violinista André Touret. Nesta época (década de 1930) adotou o estilo neoclássico, obtendo prestígio como a primeira compositora polonesa a figurar no cenário internacional.

        Grazina atuou como violinista em diversas orquestras, participando também de bancas de concursos e de inúmeros festivais. Foi a principal violinista da Polish Radio Orchestra, o que lhe possibilitou também estrear várias obras de sua autoria - como o Concerto para Violino nº 1. O contato frequente com o grupo colaborou em sua escrita para outros instrumentos e formações, como as Três Canções para tenor e Orquestra. Esta intensa atividade foi interrompida durante a Segunda Guerra Mundial, quando a compositora retornou a Varsóvia e atuou mais em ambientes menores e undergrounds.

        Em 1936 casou-se, dando à luz sua primeira filha em 1942. Após a guerra ingressou no corpo docente do State Conservatory of Music in Łódź. Como compositora, aderiu aos preceitos vigentes do realismo socialista.

        Gravou algumas de suas obras ao violino, acompanhada ao piano pelo irmão Kiejstut. É memorável sua interpretação da Quarta Sonata para violino e piano para a Polskie Nagrania – Muza, XW-72, gravada, provavelmente, em meados de 1950.

          Tem também notáveis performances ao piano, como a gravação de sua Segunda Sonata para o instrumento.

        Não obstante, após a década de 1950 decidiu encerrar a carreira de intérprete para dedicar-se totalmente à composição. É detentora de importantes prêmios, como o 1º lugar no International Chopin Competition for Composers, em Varsóvia, 1º prêmio no International Composer’s Competition de Liège, 1º lugar no UNESCO’s International Rostrum of Composers em paris e medalha de ouro no Queen Elisabeth International Music Competition em Bruxelas.

        Adrian Thomas, no The Norton/Grove Dictionary of Women Composers, divide a obra de Grazina em três fases: a primeira, entre 1932 e 44, é dedicada ao desenvolvimento e refinamento de um estilo neoclássico. Deste período ele destaca o Quinteto para sopros, da compositora. É interessante notar que ela insere em sua linguagem clara e objetiva - caraterística do neoclassicismo - elementos do folclore polonês (esta foi também uma atitude dos (das) compositores (as) latino-americanos (as) na primeira metade do século XX). Suas obras compostas durante a Segunda Guerra chegam, inclusive, a se afastar do formalismo clássico para adquirir tons mais heroicos e apaixonados. Exemplo desta prática é a Sonata nº 1 para violino solo.

        A segunda fase (1945 a 59) acentua sua linguagem mais pessoal, influenciada por seu antigo professor Szymanowski. São suas peças mais conhecidas, os concertos para cordas e/ou instrumentos solistas, quartetos e quintetos. Apesar do realismo socialista, Grazina não se restringe a usar temas folclóricos e nacionais, fazendo alusões aos mesmos em meio a outros materiais e técnicas.

        A terceira fase (1960-69) testemunha a criação de sete de suas grandes obras. Não obstante, a compositora se mostra entre a adoção de novas linguagens (ela chegara a escrever com a técnica dodecafônica em finais de 1950, além de flertar com a aleatoriedade em 60) e o retorno ao uso do folclore. Thomas aponta uma espécie de patchworking technique (colagem de materiais diversos) em obras como Concerto para Viola, entre outras. De qualquer modo, o pesquisador ressalta sua voz independente e individual em meio às diferentes correntes que circulavam em seu país, bem como seu exemplo e importância para outras mulheres que abraçaram a composição na Polônia e no Leste Europeu.

        Grazina foi uma das fundadoras do Festival de Outono em Varsóvia e vice-presidente da União de Compositores Poloneses. Atuou como professora de composição em importantes instituições e tem ruas e estabelecimentos com seu nome no país.

A compositora faleceu em 1969, de ataque cardíaco. Sobre sua obra, ela relatou em entrevista:

Eu divido a minha música em três períodos - (1) juventude - muito experimental, (2) - inapropriadamente chamado aqui de neoclássico e sendo realmente atonal, e (3) o período em que ainda estou localizada. Cheguei nesse período por meio de evolução (não de revolução), através da Música para Cordas, Trompetes e Percussão, do 6º Quarteto de Cordas (parcialmente serializado), da 2ª Sonata para Violino Solo e do Concerto para orquestra sinfônica de grande porte. (“A Draft Answer to an Unknown Questionnaire,” Ruch Muzyczny No. 7, 1969).

Mais informações

Para conhecer sua obra

Grazina Bacewicz (1909-1969)

Biography

 

        Grazina Bacewicz was born in Łódź, Poland, on January 17, 1909. She was the daughter of a Polish mother and a Lithuanian father. She chose the mother's nationality despite her father's return to her native country, taking her brother. In childhood, however, it was her father who gave her the first lessons of violin, piano and music theory when the girl was 5 years old. The following year she gave her first public recital, in the company of her brothers. At thirteen she composed her first piano pieces, a cycle of Preludes for the instrument.

        Grazina attended the Conservatory of Warsaw, graduating in violin and composition in 1932. Her teachers were Kazimierz Sikorski (composition), Józej Jarzebski (violin) and Józef Turczy'nski (piano).
        She also attended the University of Warsaw, where she studied Philosophy for a year and a half. Recommended by her teacher Karol Szymanowski, the composer went to France to study with Nadia Boulanger and with the violinist André Touret. At this time (1930s) she adopted the neoclassical style, obtaining prestige as the first Polish composer to appear in the international scene.

        Grazina acted as violinist in several orchestras, also participating as jury member in contests and in numerous festivals. She was the main violinist of the Polish Radio Orchestra, which also allowed her to debut several works of her own - such as the Violin Concerto No. 1. The frequent contact with the group collaborated in her writing for other instruments and formations, such as the Three Songs for tenor and orchestra. This intense activity was interrupted during World War II, when the composer returned to Warsaw and acted more in smaller environments and undergrounds.

        In 1936 she got married, giving birth to her first daughter in 1942. After the war she joined the faculty of the State Conservatory of Music in Łódź. As a composer, she adhered to the prevailing precepts of socialist realism. She recorded some of her works on the violin, accompanied on the piano by Brother Kiejstut.

        Grazina’s interpretation of her Fourth Sonata for violin and piano for Polskie Nagrania - Muza, XW-72, probably recorded in the mid-1950s, is memorable. She also has notable piano performances, such as the recording her Second Sonata for the instrument. Nevertheless, after the decade of 1950 she decided to abandon the interpreter carrier to dedicate herself totally to the composition. She holds important prizes, such as 1st place at the International Chopin Competition for Composers in Warsaw, 1st prize at the International Composer's Competition in Liège, 1st place at UNESCO's International Rostrum of Composers in Paris and gold medal at the Queen Elisabeth International Music Competition in Brussels.

        Adrian Thomas, in The Norton / Grove Dictionary of Women Composers, divides Grazina's work into three spans: the first, between 1932 and 44, is devoted to the development and refinement of a neoclassical style. From this period, he highlights the composer's Wind Quintet. It is interesting to note that she inserts elements of Polish folklore into her clear and objective language - characteristic of neoclassicism - (this was also an attitude of Latin American composers in the first half of the twentieth century). Her composition works during World War II even come away from classic formalism to acquire more heroic and passionate tones. Example of this practice is the Sonata nº 1 for solo violin.

        The second period (1945 to 59) accentuates Grazina’s more personal language, influenced by her former teacher Szymanowski. Such compositions are among her best-known pieces, the strings concerts and / or concerts for solo instruments, quartets and quintets. Despite socialist realism, Grazina did not restricted herself to using folk and national themes, alluding to them in the midst of other materials and techniques.

        The third phase (1960-69) witnesses the creation of seven of her great works. Nonetheless, the composer appears between the adoption of new languages ​​(she had come to write with the twelve tones technique in the late 1950s, in addition to flirting with the aleatory music in the 60’s) and the return to the use of folklore. Thomas points out a kind of patchworking technique in works such as Viola Concert, among others. In any case, the researcher emphasizes her independent and individual voice among the different currents that circulated in her country, as well as her example and importance for other women who embraced the composition in Poland and in Eastern Europe.

        Grazina was one of the founders of the Autumn Festival in Warsaw and vice president of the Union of Polish Composers. She acted as teacher of composition in important institutions and has streets and establishments with her name in the country.

        The composer died in 1969, of heart attack. About her work, she reported in an interview:

I divide my music into three periods – (1) youth – very experimental, (2) – inappropriately called here neo-classical and being really atonal, and (3) the period in which I’m still located. I arrived at this period by way of evolution (not revolution), through the Music for Strings, Trumpets and Percussion, the 6th String Quartet (partly serialized), the 2nd Sonata for Violin Solo, and the Concerto for large symphony orchestra. ([“A Draft Answer to an Unknown Questionnaire,” Ruch Muzyczny No. 7, 1969).
 

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