Germaine Tailleferre

Escrito por Ligia Monteiro - setembro/2017

Germaine Tailleferre (1892-1983)

Biografia

        Germaine Tailleferre nasceu em Paris em 1892. Em sua infância, ela aprendeu a tocar piano com sua mãe, Marie Desire Tailleferre. Aos quatro anos, Germaine já conseguia tirar melodias de ouvido, chegando inclusive a compor uma peça para piano. Em 1904, apesar da posição contrária de seu pai, a artista ingressou no Conservatoire in Paris, onde recebeu diversos prêmios de primeiro lugar em solfejo, harmonia, contraponto, e harmonia para piano. Ela também estudou orquestra com Ch arles Koechlin e Maurice Ravel.

        Durante os anos no conservatório, Germaine conheceu os estudantes Darios Milhaud, Georges Auric e Arthur Honneger. Em conjunto com Louis Durey e Francis Poulenc, os seis artistas formaram o conjunto “Nouveaux Jeunes” com o encorajamento de Eric Satie. Juntos, eles compuseram 18 pequenas peças para o “Petit livre de Harpe de Madame Tardieu” para Caroline Tardieu, assistente de professora de harpa do conservatório. Em 1920, o grupo recebeu o nome “Les Six”, como ficaram conhecidos. Germaine, por sua vez, ficou conhecida como “a única mulher dos Les Six” e até mesmo “O sorriso dos Les Six”.

        A fama de Germaine cresceu não somente por sua música, mas também por sua amizade com outros músicos e artistas. No período entre guerras, ela interagiu com a comunidade artística de Paris. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, entretanto, a artista precisou fugir para os Estados Unidos, deixando na Europa muitas de suas composições. Germaine viveu na Filadélfia até o final da guerra, retornando a Paris em 1946.

        De volta à França, Germaine compôs músicas de câmara e para orquestra, assim como peças de ballet. Em 1976, já aos 84 anos, ela começou a trabalhar em uma escola particular como acompanhante de músicas infantis e aulas de dança. Ela compôs até algumas semanas antes de sua morte, em 1983. A maior parte de suas músicas, entretanto, só ficou conhecida postumamente.

Composições

        Germaine compôs para todos os gêneros: trilhas de filmes, músicas para rádio, óperas, concertos, músicas de câmara, entre outros. A maior parte de suas composições foi desenvolvida antes dos anos 60 e possuem um estilo espontâneo e novo, que garante o entendimento imediato do interlocutor.

        No início dos anos 20, Tailleferre desenvolveu alguns dos mais famosos trabalhos de sua carreira, tais como o Primeiro Concerto para Piano, o Concertino para Harpa, “La Nouvelle Cythère”, e a Sonata nº 1 para Violino. Essa última peça é dedicada ao violinista Jacques Thibaud e mostra que a artista também fica completamente confortável ao compor para violino. Nos anos 30, ela compôs sua masterpiece “La Cantate de Narcisse” em conjunto com Paul Valéry, bem como uma série de documentários.

        A artista não apreciava muito as novidades da música serial e eletrônica que ocorriam naquela época. Envolveu-se com serialismo e politonalidade apenas depois de 1958 e em caráter experimental, nunca como característica permanente de sua obra. Para Germaine, se o interlocutor não era capaz de identificar o estilo de um artista depois de três compassos, era porque faltava perfeição em sua composição. Como ela mesma resumiu: “Eu crio música porque gosto. Não é uma música maravilhosa. Eu sei disso. É a música contagiante e leve que às vezes me leva a ser comparada com os mestres inferiores do século 18, e me orgulho disso”.

Para conhecer sua obra

Germaine Tailleferre (1892-1983)

Biography

        Germaine Tailleferre was born in Paris, in 1892. As a child, she learned how to play the piano with her mother, Marie Desire Tailleferre. By the age of four, Germaine could already pick out melodies by ear on the piano and she even composed a piano piece. In 1904, despite her father’s opposition, the artist entered the Conservatoire in Paris, where she received many first prizes in solfege, harmony, counterpoint, and keyboard harmony. She also studied orchestration with Charles Koechlin and Maurice Ravel.

        During the years at the Conservatoire, Germaine met the students Darius Milhaud, Georges Auric, and Arthur Honneger. Along with Louis Durey and Francis Poulenc, the six artists formed the group “Nouveaux Jeunes” under the encouragement of Eric Satie. Together, they composed 18 short pieces for the “Petit livre de Harpe de Madame Tardieu” for Caroline Tardieu, the Conservatoire’s assistant professor of harp. In 1920, the group received the name “Les Six”, by which it has been called ever since. Germaine, in turn, was known as the “the only woman of Les Six”, or even “The Smile of Les Six”.

        Germaine’s fame grew not only for her music but also for her friendship with other famous artists and musicians. Between the world wars, she interacted with the artistic crowd in Paris. With the outbreak of the Second World War, however, the artist had to runaway to the United States, leaving most of her scores behind. Germaine lived in Philadelphia until the end of the war, and returned to Paris in 1946.

        Back in France, Germaine composed orchestral and chamber music, as well as ballet pieces. In 1976, at the age of 84, she started working in a private school as an accompanist for children’s music and movement class. She composed until a few weeks before her death, in 1983. Most of her music, however, was only published posthumously.

Compositions

        Germaine composed in all genres: film scores, music for radio, operas, concertos, chamber music, and songs. Most of her compositions were developed before the 1960s and followed a spontaneous and fresh style, which invites immediate listener understanding.

        In the early 1920s, Tailleferre developed some of the major works of her career, such as her First Piano Concerto, The Harp Concertino, “La Nouvelle Cythère”, and Sonate nº 1 for Violin. The latter piece is dedicated to the violinist Jacques Thibaud and shows that the artist is completely confortable writing for the instrument. In the 1930s, she composed her masterpiece “La Cantate de Narcisse” in association with Paul Valéry, as well as a series of documentaries.

        The artist didn’t enjoy much the newest serial and electronic musical developments of that time. She was only involved with serialism and polytonality after 1958, but only as an experiment, not a permanent part of her musical language. For Germaine, if the listener was not able to identify an artist’s style after three bars, than the composition was lacking in artistry. As she summed up: “I create music because I enjoy doing it. It’s not great music. I know that. It’s cheerful, light music that sometimes gets me compared to the lesser 18th century masters, and I’m proud to be”.

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