Bun-ching Lam

Escrito por Eliana Monteiro da Silva - julho/2019

Bun-ching Lam (1954)

Biografia

        Bun-ching Lam nasceu em Macau, China, em 26 de junho de 1954. Aos 7 anos começou a estudar piano, apresentando-se em recital solo aos 15. Formou-se Bacharel em Piano pela Universidade Chinesa de Hong Kong em 1976, recebendo uma bolsa para estudar na Universidade da Califórnia em San Diego. Lá estudou composição com Pauline Oliveros, Bernard Rands, Robert Erickson e Roger Reynolds, até se formar PhD em 1981.

        Bun-ching lecionou no Cornish College of the Arts em Seattle de 1981 a 1986. Foi compositora-residente na Orquestra de Macao e na Sinfônica de New Jersey, atuando no America Dance Festival em 2000 e 2001. Venceu os concursos de composição Prix de Rome em 1991 e Lili Boulanger em 1992, bem como o primeiro concurso internacional da China, o Shanghai Music Competition.

        Foi agraciada, entre outros, com bolsas de estudos pela Guggenheim Foundation, pela American Academy of Arts and Letters, além do financiamento para 3 meses de estudos no Japão concedido pelo Conselho Cultural da Ásia.

        As composições para câmara de Bun-ching foram apresentadas numa retrospectiva sobre a autora realizada pela Universidade Alemã de Heidelberg, em 2009, no formato de 3 recitais. Na mesma ocasião foram exibidos livros que a compositora produziu com a Kadelwey Press, como parte do programa “Cluster of Excellence”. A integral destes concertos foi lançada em um álbum duplo de CDs, sob o título “Heidelberg Concerts” (Mutable Music). Uma retrospectiva similar intitulada “Lam Bun-ching & Friends” foi apresentada 2 anos depois em Macau, como parte do 26th Macao International Music Festival.

        Bun-ching foi uma das 27 compositoras convidadas pela violinista Hilary Hahn a criar uma obra para seu "Encore Project". O CD deste projeto foi lançado pela Deutsche Grammophon em 2013. Ela também integrou o concerto do “Atlas Ensemble” com a peça Atlas, estreada no Concertgebouw em Amsterdã junto a obras de 30 músicos da China, Europa e Middle East.

        Sua ópera de câmara Wenji - Eighteen songs of the Nomade Flute foi estreada na Asia Society em New York e no Hong Kong Arts Festival. A compositora tem tido peças orquestrais apresentadas por importantes grupos internacionais, tais como Vienna Radio Symphony Orchestra, Macao Orchestra, Albany Symphony, Women's Philharmonic, Hong Kong Chinese Orchestra, National Youth Orchestra of Holland, e Hong Kong Sinfonietta.

        Bun-ching atua também como regente. Apresentou-se à frente da Shanghai Symphony Orchestra/Macao Chamber Orchestra, em programa dedicado a obras de sua autoria, como parte do 16th Macao International Music Festival.  Sua peça Saudades de Macau foi encomendada pelo Instituto Cultural de Macau para o evento.

Composições

        As composições de Bun-ching Lam são descritas por diversos meios de comunicação como “sedutoramente exóticas” (alluringly exotic) ou mesmo “obsessivamente atraentes” (hauntingly attractive). A autora insere elementos musicais e poéticos de sua infância em Macau, como pode ser conferido em Song of the Pipa, para pipa solo e orquestra. Nessa obra, o poema de Bai Juyi (Dinastia Tang) tem seu ambiente e espiritualidade recriados musicalmente através de melodias antigas feitas pela pipa. O instrumento solista apresenta uma espécie de cadenza, ao que se segue um diálogo entre o mesmo e a orquestra. O ponto culminante é alcançado por todos em uníssono, e evoca a necessidade de união entre as pessoas. A obra é dedicada à mãe da compositora (https://www.bunchinglam.com/programnotes.htm).

        Por sua vez, Atlas é criada a partir da trama e desenho de um tapete oriental. Contém elementos musicais repetitivos, como os motivos gráficos da borda de um tapete persa, que levam ao tema principal no centro do trabalho (tapete e peça musical). Também os motivos musicais são baseados em melodias persas, como a Gushe. Inspirada pelo título do conjunto que lhe encomendou a obra – o Atlas Ensemble – Bun-ching imaginou um grande mapa musical, um atlas, percorrendo as diferentes regiões onde os instrumentos usados foram criados (Idem).

        A linguagem abstrata é usada pela musicista em obras como Piccolo Concertino. A autora trata o instrumento, frequentemente utilizado em trechos ou partes virtuosísticas, como responsável por melodias intimistas, explorando seus registros mais graves, impondo-lhe dinâmicas fracas e caráter calmo.

        Já Saudades de Macau traz o gongo como protagonista do 3º movimento de uma peça nostálgica, em 5 movimentos. E a Macau Cantata é escrita em 7 idiomas, com textos de 7 autores considerados importantes à formação de Macau, como o jesuíta Matteo Ricci.

        Falando sobre seu estilo composicional, a autora se define como “pós-moderna”, “pós-minimalista” e “tudo o mais que pode ser uma compositora do século XXI”.

Para conhecer sua obra

Mais informações

Bun-ching Lam (1954)

Biography

        Bun-ching Lam was born in Macao, China, on June 26, 1954. At the age of 7 she began studying piano, performing in solo recital at 15. Graduated in Piano at the Chinese University of Hong Kong in 1976, receiving a scholarship to study at the University of California, San Diego. There she studied composition with Pauline Oliveros, Bernard Rands, Robert Erickson and Roger Reynolds, until graduating PhD in 1981.

        Bun-ching taught at the Cornish College of the Arts in Seattle from 1981 to 1986. She was a resident composer of the Macao Orchestra and the New Jersey Symphony, performing at the America Dance Festival in 2000 and 2001. She won the Prix de Rome composition competition in 1991 and the Lili Boulanger 1st Prize in 1992, as well as China's first international competition, the Shanghai Music Competition.

        Among other things, she was awarded scholarships by the Guggenheim Foundation, the American Academy of Arts and Letters, and funding for 3 months of study in Japan by the Cultural Council of Asia.

        Bun-ching chamber compositions were presented in a retrospective about the author by the German University of Heidelberg in 2009 in the format of 3 recitals. On the same occasion were exhibited books that the composer produced with the Kadelwey Press, as part of the program "Cluster of Excellence". The full of these concerts was released on a double CD album under the title “Heidelberg Concerts” (Mutable Music). A similar retrospective entitled “Lam Bun-ching & Friends” was presented two years later in Macao, as part of the 26th Macao International Music Festival.

        Bun-ching was one of 27 composers invited by violinist Hilary Hahn to create a work for her "Encore Project". The CD for this project was released by Deutsche Grammophon in 2013. She also integrated the Atlas Ensemble concert with the piece Atlas, premiered at the Concertgebouw in Amsterdam with works by 30 musicians from China, Europe and the Middle East.

        Her chamber opera Wenji - Eighteen Songs of the Nomade Flute was premiered at the Asia Society in New York and the Hong Kong Arts Festival. The composer has had orchestral pieces performed by major international groups such as Vienna Radio Symphony Orchestra, Macao Orchestra, Albany Symphony, Women's Philharmonic, Hong Kong Chinese Orchestra, National Youth Orchestra of Holland, and Hong Kong Sinfonietta.

        Bun-ching also acts as conductor. She performed in front of the Shanghai Symphony Orchestra / Macao Chamber Orchestra on a program dedicated to her own works as part of the 16th Macao International Music Festival. Her play Missing Macao was commissioned by the Macao Cultural Institute for the event.

Composições

        Bun-ching Lam's compositions are described by various media as “alluringly exotic” or even “hauntingly attractive”. The author inserts musical and poetic elements from her childhood in Macao, as can be seen in Song of the Pipa, for solo kite and orchestra. In this work, Bai Juyi's poem (Tang Dynasty) has its environment and spirituality recreated musically through ancient kite melodies. The soloist instrument presents a kind of cadenza, followed by a dialogue between it and the orchestra. The culmination is reached by all in unison, and evokes the need for unity between people. The work is dedicated to the composer's mother (https://www.bunchinglam.com/programnotes.htm).

        In turn, Atlas was created from the plot and design of an oriental rug. Contains repetitive musical elements, such as the graphic motifs on the edge of a Persian rug, which lead to the main theme at the center of the work (rug and piece). Also the musical motifs are based on Persian tunes such as Gushe. Inspired by the title of the ensemble that commissioned the work - the Atlas Ensemble - Bun-ching imagined a large musical map, an atlas, traversing the different regions where the instruments used were created (Idem).

        Abstract language is used by the musician in works such as Piccolo Concertino. The author treats the instrument, often used in virtuosic parts, as responsible for intimate melodies, exploring its lower registers, imposing weak dynamics and calm character.

        Nevertheless, Missing Macau brings the gong as protagonist of the 3rd movement of a nostalgic piece, in 5 movements. Macau Cantata is written in 7 languages, with texts by 7 authors considered important to Macao's formation, such as Jesuit Matteo Ricci.

        Speaking of her compositional style, the author defines herself as “postmodern”, “post-minimalist” and “everything else that can be a 21st century composer”.

To know her work

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